Cicatriz hipertrófica e queloide: qual a diferença e como tratar
Quando uma cicatriz fica elevada, endurecida, avermelhada e começa a coçar ou doer, é comum ouvir “isso é queloide”. Na verdade, o que parece queloide muitas vezes é uma cicatriz hipertrófica, e a diferença entre as duas muda completamente o tratamento. Neste artigo, a cirurgiã plástica Dra. Isabelle Dolavale explica como distinguir cada uma.
O que são cicatrizes hipertróficas e queloides?
Ambas são cicatrizações exageradas: o corpo produz colágeno em excesso durante a cura da pele. O resultado é uma cicatriz mais espessa e saliente que a pele ao redor.
Como diferenciar
- Cicatriz hipertrófica: fica elevada, mas restrita aos limites da lesão original. Costuma aparecer nas primeiras semanas após a lesão ou cirurgia e, com o tempo, pode achatar e clarear por conta própria, ao longo de 1 a 2 anos.
- Queloide: cresce além dos limites da lesão, invadindo a pele sadia ao redor. Pode surgir meses depois da lesão, não regride espontaneamente e tende a voltar depois de retirado sem tratamento complementar.
Em ambas, pode haver coceira, ardência, dor e sensibilidade. A diferenciação é clínica e deve ser feita por um médico, preferencialmente um cirurgião plástico ou dermatologista.
Quem tem mais risco?
O queloide tem componente genético: é mais frequente em pessoas com histórico familiar e em peles mais escuras, e aparece com mais frequência em regiões como lóbulo da orelha, tórax, ombros e parte superior das costas. Já as cicatrizes hipertróficas são mais comuns em áreas de tensão, como articulações, e após queimaduras, infecções da ferida ou cicatrização prolongada.
Tratamentos disponíveis
O tratamento é individualizado e, muitas vezes, combina mais de uma técnica:
- Silicone em gel ou placas: ajuda a hidratar e a controlar o crescimento da cicatriz; é a base de muitos protocolos.
- Compressão: útil especialmente em cicatrizes de queimadura.
- Infiltração de corticoide: reduz a espessura, a coceira e a vermelhidão.
- Laser e outras tecnologias: melhoram textura, cor e vascularização.
- Cirurgia: indicada em casos selecionados; no queloide, geralmente associada a outros métodos para diminuir a chance de recidiva.
Importante: não retire queloide por conta própria nem faça procedimentos sem avaliação. Uma cirurgia mal planejada pode piorar o quadro e aumentar a cicatriz.
Quando procurar um especialista?
Procure avaliação se a cicatriz está crescendo, coça ou dói com frequência, limita movimentos ou incomoda esteticamente. Quanto antes o tratamento começa, melhor costuma ser o resultado. Veja também as opções de tratamento de cicatrizes e queloides e como é o tratamento do queloide.
Mitos e verdades sobre cicatrizes elevadas
- “Queloide é câncer.” Mito. É uma cicatrização exagerada, benigna.
- “Quem tem queloide nunca pode operar.” Mito. Pode operar com planejamento, escolhendo incisões adequadas e iniciando prevenção desde o pós-operatório.
- “Passar óleos e pomadas caseiras resolve.” Mito. Alguns produtos irritam a pele e atrasam a cicatrização. Silicone e outros tratamentos têm mais respaldo.
- “Cicatriz hipertrófica sempre melhora sozinha.” Em parte. Muitas melhoram ao longo de 1 a 2 anos, mas algumas precisam de tratamento para evitar sintomas e sequelas.
O que levar para a consulta
Leve fotos de como a cicatriz evoluiu, o relato da cirurgia ou do acidente que a causou, a lista de medicamentos em uso e informações sobre histórico familiar de queloide. Isso ajuda a definir o tipo de cicatriz e o tratamento.
Também conte desde quando ela coça, dói ou cresce e o que já foi tentado. Cada detalhe reduz tentativas e erros no plano de tratamento.
Ficou com dúvida sobre o seu caso? Cada cicatriz e cada organismo são diferentes. A avaliação presencial é o que define o tratamento adequado.
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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educativo, não substitui a avaliação médica individual e não constitui promessa de resultado.
